Hoje tinha um plano teatral em mente, mas como tive receio do frio, fui adiando a decisão de ir até ao Maria Matos... e agora já não há bilhetes!
Estou triste. Deve ser fabuloso este* "Hotel Lutécia"!
A fabulosa e despreocupada vida de Ana Red Nose
Acho que o meu blog corre sérios riscos de se transformar num daquelas diários de gordinhas orgulhosas que colocam uma fita métrica no cabeçalho e vão mostrando a sua evolução na perda de peso. Hoje fui à Nutricionista, 5 semanas após o início da minha dieta de mini-milks e ginástica, e o resultado são menos 3000 gr de massa nojenta gorda. Não perdi mais peso porque converti as banhas em músculo!
O meu dia ficou agora parado. Está em stand-by até ir para o ensaio. Tenho sono, está sol lá fora, tenho frio se fico muito tempo em casa, fico cansada se saio à rua. Fico com vontade de ler, canso-me de ler e tenho sono. Podia preparar formação para a amanhã, mas já sonhei com ela e estava tudo ok na minha imaginação nocturna. Há revistas espalhadas no sofá, umas já abertas, outras seladas e tímidas. Livros na estante que murmuram e pedem para ser lidos. O sol a entrar pela sala, muito suave e educado, a aliciar-me para um abraço. Vem para a rua, diz-me ele, está calor, goza! Vem passear por baixo de mim, aqueço-te e não te canso, não vais ter frio comigo por perto. Fecho os olhos por uns instantes e adormeço profundamente. Estou na praia e estou quente, salgada, indolente, inconsequente. Tenho saudades do calor da praia, de estender-me na areia e adormecer sem frio, confortável. Vou desenhar, decido. Os lápis riem-se de prazer. Gostam do meu toque. O papel ajeita-se à espera de riscos. Não, afinal não quero. Não me apetece. Estou nos dias de ver televisão... mas eu não tenho televisão. O que é igual à televisão?, pergunto ao silêncio da minha casa. Não há nada como a televisão, oiço. Vai sair, estás a ficar chata, responde-me a parede mestra. As janelas dão uma gargalhada. Quem é que não tem tv nestes dias? É esquisita a nossa senhoria!
A minha neura acabou mal ontem à noite. Depois de ter comido uma sopa saudável, firme e sensata nos meus objectivos dietéticos, comecei a ver o Lost. Vi 1, 2, 3 episódios e, talvez sonâmbula, fiz uma mini-cambalhota no tempo e voltei ao passado quando não me importava de comer doces. E degluti, automatizada, uns vermes chocolates que estavam adormecidos no congelador (ainda em coma). Fiquei meia agoniada. O meu corpo já não está habituado ao açúcar. Vi mais 1 ou 2 episódios. Adormeci. Acordei já na minha nova e actual realidade e percebi apenas que tinha feito merd* num universo paralelo. O corpo mantinha-se saudável e sensato (firme é ainda uma quimera). Afinal, o que é um delírio temporal na minha dieta ultra-sofisticada? Além disso, é Sábado e está sol!
Hoje tirei uma das gavetas para perceber o que se passava na de cima, que teimava em não abrir. Não estava à espera de tal horror! Gelo e gelo, quase polo norte, frio no meu nariz, a gaveta entupida e constipada, a teimar a imobilidade. E eu a pensar, gelada com as minhas reflexões desarticuladas a tiritarem. O que fazer? Fui buscar uma facalhão tipo Indiana Jones e comecei a lutar contra o gelo. O frio a dar cabo de mim e a ganhar. Gotas a cairem para a minha cara indignada e roxa. Desisti. Fui vencida pela água sólida dura e potente. Voltei a pôr a gaveta de mansinho, para não despertar a ira do electrodoméstico insano.
Hoje fui às compras a uma grande superfície (gosto muito deste termo. Fica a parecer que fui à lua, mas não, fui só ao Continente). Fui à grande superfície do povo, na capital do consumo lisboeta. Comprei alguns mantimentos para a minha dieta, contudo, esqueci-me dos mini-milks. Isto de decidir racionalmente ir buscar os congelados no final, arrasta-os para a categoria dos esquecidos. Devia fazer uma lista!