terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Exercício da escrita

À custa de querer domesticar-me e organizar o meu pseudo processo criativo fiz nascer um blog de tentativa de contos, histórias... sei lá o que mais pensava eu nesse momento delirante.
O facto é que não tenho escrito grande coisa e isso deixa-me um bocado frustrada. Contudo, não me apetece cismar ou reflectir muito sobre o caso. Por isso vou escrever livremente e sem grandes elaborações.
Hoje o meu professor do curso de escrita disse que o meu trabalho estava bem escrito, mas não tinha percebido qual era a história. É verdade, infelizmente. Percebi que até nem é o mais grave (pior seria se tivesse uns conteúdos fantásticos com palavras pobres), no entanto, lembrei-me das palavras do meu pai, que me tem acompanhado nas minhas deambulações literárias ao longos dos séculos, que opina sempre que escrevo muito bem e tal, as palavras saem bonitas e elegantes, mas nada tem pés e cabeça... a maldita falta de um argumento vital, de um fio condutor, de um bom argumento que dê força às linhas que, aparentamente, surgem rápida e facilmente.
Resumindo... não tenho conteúdo, nada tenho a dizer ao mundo estruturado e interessante. A escrita sobre miudezas torna-se uma teimosia, mais do que uma hipotética experiência literária.
Se calhar tenho de pensar primeiro antes de escrever. Não sei. Estou confusa. Afinal, não terei mesmo assuntos para elaborar em noveleta? Terei a capacidade de escrever, de manusear com destreza a forma sem ter a oportunidade de passar bons conteúdos? A futilidade chegou à escrita...
Gaita, tenho de me disciplinar e focalizar-me num tema. Ou então vou ter de destruir o Universo para não me sentir tão medíocre...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Feriado no Palácio

Estou tão constipada que só me apetece caminha e mimos... e tenho sono a qualquer minuto. E espirro entre o sono e os arrepios de frio. Temo que o meu nariz caia à custa de tanta assoadela. Mas está-se bem, em casa, no conforto do lar, protegida do terrível vento gelado e do sol assombrado lá fora, que promete um calorzinho quando afinal só serve para iluminar a rua e publicitar melhores dias.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sem popó não há marmita!

Passeando pela cidade adormecida, descendo a Alameda ao sol, afazeres na zona do Saldanha, de novo a andar pela calçada rumo ao Bairro das Colónias. Pausa para almoço feliz e sorrisos da gente pequena e linda, Laura, a mais recente bela alegria do clã. Novamente a caminho, paragem na garagem e o carro doente que ainda se encontra em tratamento:
- Estamos a aguardar as pastilhas para os travões!
- Pastilhas? Tenho gorila e trident. Não servem? Posso mastigá-las num ápice!
- Não, não, obrigada, Miss! Estas que esperamos são pastilhas à séria, daquelas para os travões ficarem contentes e não chiarem.
- Ah - digo sem vontade de partir sem o meu bólide - Amanhã telefono, ao nascer do dia, para saber notícias do popó.
No palácio o cansaço atinge os corpos exaustos da pedalada que desmaiam de sono súbito e profundo. As horas a passar, as pessoas a revoltarem-se contra o sistema e eu agora a escrever. A teclar tic-tic-tic. Ao mesmo tempo, na cozinha, a marmita prepara-se, crescida e autónoma, para a jornada seguinte e eu lembro-me, a meio da confecção culinária, que poderei ter de utilizar transportes públicos, tarefa incómoda com uma marmita. Falo com ela com calma. Primeiro chora e depois compreende.
- Sem popó não há marmita - murmura, já a secar as lágrimas no micro-ondas - Tu é que sabes...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dia dos deveres

Hoje é dia de dever fazer... eu devia isto, eu devia aquilo, etc de deveres e mais alguma coisa. Contudo, carreguei no stop da consciência e responsabilidade e aqui estou eu, a gozar a pasmaceira do dolce fare niente, muito feliz pela inércia, pelas horas a passarem lentamente, a chuva a arrepiar ao de leve as janelas.
Eu aqui com o cérebro sem gigas, sem nada, a cabeça apenas disponível para colocar uma máscara capilar daqui a pouco, se me apetecer, para ficar com o cabelo mais brilhante, com cheirinho bom a chocolate, pronto a ser lambido e devorado (se comer o meu cabelo depois como também a pele e o resto? Quem fica no final do repasto? A boca, porque ri por último...)
Curto circuito cerebral. E eu aqui a tentar pensar e escrever, com as sinapses a meio gás, os axónios em greve, em casa, com medo de hipotéticas explosões de nata da nato.
O computador e o chá aquecem a alma e o corpo e eu fico cheia de calor. A arder de febre artifical. Sinto um ligeiro odor a queimado e percebo que estou a entrar em combustão espontânea. Vou até à rua e peço à nuvem do vizinho para me apagar as chamas e por fim, regresso ao normal de mim. Verifico que o palácio não ficou danificado e por isso está tudo ok.
Tenho imagens na mente sem descodificação por falta de actividade cerebral: banheira, chocolate, livro, sofá...
Adormeço sem compreender se isto é preguiça ou coma...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Zzzzzzzzzzzzzzz



Às vezes é melhor ir dormir do que começar a processar novas ideias. Amanhã tenho uma reunião cedo e não quero cultivar olheiras no meu rosto já estafado com a noitada de escrita na véspera...
Afinal, a frescura da idade começa também a emigrar do meu corpo!

domingo, 14 de novembro de 2010

Era uma vez uma Ana, um livro e um fim-de-semana

O Sábado despertou cheio de genica, logo pelas 8 horas da manhã e pediu, com muita gentileza, se a Miss Ana podia acordar com ele e passear por aí. Miss Ana, estremunhada, ainda em euforia por ter o início deste dia em liberdade, estranhou e rabujou. Decidiu que não iria sair de casa tão cedo pois queria dedicar-se ao prazer supremo de ficar a ler sem fim e sem culpa aquela "Pesquisa Sentimental" que a estava a maravilhar tanto. Assim, Miss Ana leu, leu, leu.
Continuava a ler quando percebeu que tinha deixado passar a aula de hidroginástica, a de pilates e até mesmo a Anatomia de Grey em bicicleta.
A leitura seguia a bom ritmo mas lá se ia o almoço com a irmã, os sobrinhos e a tia!
As personagens deixaram-na preparar o almoço e enquanto cozinhava, pensava que podia, na perfeição, defender a leitura desta obra (mas cheirava a graxa e Miss Ana não queria. Aliás, o tpc mantinha-se a pairar turvo sobre a mente, incapacitando-a de o iniciar com ousadia e bravura. Ainda havia tempo...).
O frenesim literário prosseguiu pela tarde. No sofá vermelho, talvez por ter começado tão cedo a tarefa da jornada, Miss Ana passa pelas brasas. Retoma o livro quando desperta e é a ler que apanha um autocarro para o Calvário. Vai a um concerto e concentra-se na música e nas pessoas reais. Aproveita escassos minutos para retomar a história, mas desiste por parecer anti-social. O resto da noite é boa e dá um salto até Domingo, calmo e sorridente. A vida vai acontecendo ao longo das horas, muito bons momentos até ao buraco das horas vagas deixadas pelo ensaio adiado. Miss Ana tem pena de não improvisar esta noite, mas a Pesquisa está ali ao lado, a seduzi-la e a acenar com as folhas por ler.
Nem mais um minuto de espera! Miss Ana instala-se no seu amigo sofá e devora as palavras com um big smile. Que gosto!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Passar a ferro, ler e pensar

Saias para engomar, saias necessárias às minhas vivências diárias a dormir em cima da tábua, cansadas da espera. Umas já estão a contar a outras no guarda-vestidos como foi a experiência, se estou mais hábil, mais eficaz ou se ainda deixo vincos por detrás.
Livros para ler. Muitos a exigir num murmúrio a minha ávida leitura. Gritam nas estantes, mas eu hoje estou surda e finjo que não entendo as páginas a dançarem violentamente à frente dos meus olhos a implorarem pelo meu toque e uso.
E depois o pensamento que circula em mim e se senta também no sofá vermelho e pergunta-me se não fazia mais sentido começar a escrever o assustador tpc, para não deixar tudo atrapalhado para a última. Disfarço com a calma que encontro perante o receio que a proposta induz: talvez amanhã, logo ao acordar, mas agora vou ter de ler, para me inspirar!
(e apetece-me mesmo ler um livro em particular, pela curiosidade que me desperta o autor, agora que percebi que esta pesquisa é bastante diferente da sua primeira obra. Ainda bem que não tenho televisão!)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Pedido especial

Preciso de temas para escrever alguma coisa consistente e coerente, que não termine em delírios loucos e surreais, com princípio, meio e fim!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Às vezes gostava

... de ter televisão, 450 mil canais e adormecer no sofá a ver uma 7.ª série de hospitais e maleitas, com romances de cordel à mistura. Como não tenho, vou ler para a cama. Assunto arrumado!
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... de ser mais resistente ao frio. Está um gelo lá fora ou estou demasiado sensível? Amanhã levo gorro para aquecer a pinha e não deixar congelar a criatividade.
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... de organizar a minha roupa de véspera para não me chatear e perder tempo de manhã. Um dia, um dia vou conseguir!
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... de não ficar tanto tempo a divagar no blog, encerrar o computador, não pensar na televisão que não tenho, não escrever sobre o frio que sinto e ir preparar a vestimenta para o dia seguinte.

sábado, 6 de novembro de 2010

Afinal está sol!

Cada vez mais adoro as manhãs de Sábado! Prometem tudo, dão o quente do muito tempo do fim-de-semana, do poder não fazer nada, da expectativa do dia preguiçoso dengoso com ronrom à mistura.

A chuva murmura costura


Tenho a impressão...

que troquei as aulas de LGP pelo fadismo-do-lar. Nunca os Sábados de manhã foram tão vocacionados para a organização/ limpeza do palácio. Abóbora!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Muito gosto, pouca concentração

Estava a pensar, no caminho para o palácio para troca de roupa rápida antes de jantar de amigas, que gosto de demasiadas coisas. A minha agenda é imensa e repleta de actividades diversas. E gosto mesmo de tudo o que faço... o que me leva a ponderar se não ando a fugir de alguma coisa... tipo, um estado adulto mais maduro e pacato. Chinelas e robe, sofá e tv. Talvez um caniche ou um canário... será?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Enigmas

Estava agora a folhear um livro chamado "Taxi", que li há bastante tempo e que agora quero "rever" (escrito pelo senhor que será o coordenador do curso de escrita criativa - José Couto Nogueira) quando me deparei com um cartão de visita de alguém, aparentemente uma família (o nome dele, dela e do bebé), que eu não reconheço. Amigos da minha vida passada? Que estranho não saber quem são. Um casal, dois nomes, um ponto de interrogação. A memória selectiva faz das suas.
Estranho, mesmo estranho...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A esperança de um mundo melhor aumenta no interior de Ana

Posso estar pobre que nem um carapau, mas tenho estimulado a minha criatividade eco-estética de uma forma tão magistral e magnífica desde que iniciei o Workshop de Reciclagem de Vestidos na Geraldine que me sinto renovada/reciclada! Tem sido mesmo bom! Cada vez tenho mais vontade de aprender a díficil bela arte da costura e dos lavores!
E como andava tão triste com as obras do prédio, a antever tempos de penúria decadente, eis que surge a boa nova: fui seleccionada para fazer um Curso de Escrita Criativa sem ter de pagar um tostão! Viva!!!
Tenho muita sorte! :)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Terramoto individual

Recebi a informação do valor que vou ter de pagar pelas obras do telhado do meu palácio. E há outras obras necessárias, com outro orçamento atroz. Há um proprietário esquivo e ausente. Merdices...
Adeus, férias nos próximos 2 anos! Começou a minha verdadeira crise.
Sopas?! Sim, a partir de agora, muitas!
Lazer grátis? Sim, claro! Prazeres que impliquem gastos já não fazem parte das possibilidades.
Assumo-me hoje e desde já:
POBRE!
Não contem comigo para festas e jantares. Acabou-se a papa doce!

domingo, 31 de outubro de 2010

Homem Elefante

Esta história sempre me impressionou. A deste John Merrick e de outros que foram/são pessoas aprisionadas num corpo disforme, isoladas e afastadas de uma vida mais normal e comum. Tristíssimo, aterrador, desumano.
Gostei muito da peça, por ser tão simples e verdadeira. Por não abusar de artimanhas e ser tão clara ao apresentar a fragilidade e sofrimento deste homem. Muito bom!

 
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