terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Escapadela

Ela era uma mulher na casa dos 30 com pretensões de vir a ser conhecida pela sua boa escrita, fluida, inteligente e ágil… mas não tinha argumentos e ideias congruentes que lhe permitissem iniciar, dar um corpo e terminar airosamente uma história. Mesmo com 10, 15 páginas como era a proposta. Ela era simplesmente preguiçosa ou árida de um pensamento continuado que lhe daria a oportunidade de finalizar algo que ainda não tinha começado?
Ela era parva e matutava sobre isso. Ela era um génio e sonhava com isso. Delirava e confabulava. Histórias de sucesso e discursos oscarianos. Tudo lhe chegaria um dia, queria acreditar, sem muito ligar.
Mantinha o seu trabalho de funcionária pública num estaleiro com crianças. Todos os dias de regresso a casa, planeava sentar-se no sofá com o computador no colo e principiar a sua conquista do Universo. Contudo, era o jantar, um livro que a cativava, os filhos para educar, a roupa para lavar, secar, passar, dobrar, guardar e voltar a vestir. Era um ciclo pernicioso que não a deixava escrever e ser maravilhosa.
Um dia fartou-se desta vida de patéticas aspirações e foi ao seu médico de família. Pediu com gentileza e, passados 2 meses de apoio psiquiátrico, foi-lhe concedida a solução.
A Medicina agradece sempre aos dadores de órgãos.
“O meu cérebro vai servir alguém mais produtivo”, pensou ela antes de adormecer anestesicamente…

sábado, 15 de janeiro de 2011

Post para a Anita!

Olá, olá! Aqui estou eu a escrever sem conteúdo para fazer chegar um sorriso a New York City, a cidade que nunca dorme! :)
Vou partilhar o meu mais recente e fresco pré-delírio (ainda não está concretizado)... é completamente doente e decadente: vou deixar os post-its e as notinhas para começar a fazer bases de dados!!!
E a primeira que surge na minha mente, capaz de me organizar para todas as manhãs da minha vida é...
...
Um ficheiro com todo o meu guarda roupa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Espero conseguir compilar os dados num formato simples... talvez excel. Depois passo para access e e vou criando consultas consoante o estado de espírito. A seguir vou testar durante 1 ano, para poder passar as 4 estações do ano, para avaliar o instrumento.
Se tudo correr bem, vou poupar uns 20 mn diários na escolha da fatiota, o que pode dar origem a uma poupança de 5 horas por mês (aos Domingos posso decidir sem informática!)... ao fim de um ano serão umas 60 horas. Se eu viver mais... deixa-me pensar... na minha família as pessoas duram imenso, por isso vou apontar para os 90 anos. Se tenho agora 37, ainda devo viver 53 anos...
Resultado previsto com esta ideia fabulosa: vou ganhar cerca 3180 horas de paz interior e tranquilidade estética vestuárica. Tudo com um simples ficheiro.
Mas... o ficheiro tem de ser actualizado: roupa nova, velha, que não serve porque vou ficar hiper-magra com mini-milks, ultrapassada, etc. Tem de ser tudo dinâmico e airoso!
Vou fazer novos cálculos. Quanto tempo é que vai demorar a criação da Base Mãe? Hmmm... vamos pôr umas 5 horas. Ou mais... talvez seja importante saber que roupa é que possuo. Se calhar tenho de contratar uma secretária para tirar tudo nos armários e guarda-vestidos. Pago-lhe em roupas. Alguém se oferece?

sábado, 8 de janeiro de 2011

Exercício de escrita - escrever sem conteúdo

Hoje acordei umas 4 vezes com o despertador a zumbir aos meus ouvidos. Calei-o rapidamente com um gesto. O último foi tão violento que não houve um 5.º alerta. Despertei então "naturalmente" quase às 10 horas, a pensar que estaria atrasada para alguma coisa. De facto, estava, mas deixei de me preocupar com isso e fui preparar o pequeno-almoço, enquanto reflectia sobre a pequenez da minha cozinha e palácio e no prazer que seria ter de me deslocar de divisão para divisão de patins, por ser tão enorme o meu habitáculo. Ainda acredito que um dia vou acordar e a minha casa cresceu imenso e eu tenho espaço para colocar lá mais do meu mundo sem me preocupar com o espaço para os livros que está a abarrotar ou que tenho de me enfiar debaixo da cama para inspeccionar alguma t-shirt favorita nos gavetões. Isso e outras coisas.
Felizmente estava a preparar cereais e não tinha o lume aceso. Estas divagações matinais desprovidas de cafeína e sem o tempo a martelar a impaciência levam a alhear-me da realidade.
Hoje acordei também com uma ferida por baixo do nariz, a imitar um bigode à Hitler. Creio que vai ser um "bocado péssimo" disfarçar, porque me dói de tanto me assoar. O problema é acrescido com o facto de ter de ficar gira hoje porque vou a um Baptizado de um bebé. O meu vestido não fica bem com bigodis hitlerianos. Vamos esperar que o halibut cumpra a sua missão. Ou então levo um nariz substituto para disfarçar!
... Mais de nada interessante para escrever, por isso, continuo. Ao longo da semana fui duas vezes para a cama antes das 22 horas da noite, o que me leva a ponderar se estarei doente ou apenas fatigada. Será que é o meu corpo a avisar-me que em Abril faço 38 anos e a frescura da juventude já é passado?
Acabo de tomar o pequeno-almoço e listo mentalmente afazeres (sem papel) na pinha. A SOPA! Ontem decidi fazer sopa e esqueci-me. Vai ser agora. Uma bela sopa hipocalórica vai ser criada neste mundo! Que coisa tão magnífica e mágica. Um sábio, o Lavoisier!!!
E a nota final da praxe, por ser o 1.º post do ano: Feliz 2011! Muita alegria, amor, gozo, tranquilidade e saúde! Genica e espírito sempre cool! Ié!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Lista de algumas coisas boas para fazer/ ser/acontecer a partir de 30 de Dezembro de 2010, com ênfase em 2011:


- Não fazer listas
- Usar apenas uma agenda para o trabalho e outra para a vida pessoal (que embora sejam partes inseparáveis na minha vida, são, de facto, divisíveis em termos cronometráveis)
- Ser adorável para a Humanidade (na expectativa egoísta que esta também o seja para mim)
- Estudar, ler, investigar, continuar a querer saber mais e melhor sobre as coisas que me cativam (e um bocadinho sobre o resto da vida em geral, para não me tornar inculta e alheada da realidade comum)
- Escrever muito e não só informações para Tribunais ou relatórios Psicológicos – obrigar-me a participar (não vou exigir um 1.º prémio porque sou modesta e cobarde) em alguns concursos literários. Escrever textos para os meus amigos darem corpo e batimentos cardíacos. Escrever para me sentir mais viva.
- Tentar manter o amor pelo Teatro
- Ler 33 livros
- Ser boa (por dentro e fora) – Não me esquecer que estou a fazer dieta e ando num ginásio!
- Amar, gostar, adorar as pessoas que fazem parte do meu mundo colorido e belo, pleno de felicidade descontínua, firme e congruente.
- Estar diária (mas tranquilamente) desperta e disponível para este admirável mundo em que tenho no privilégio de habitar! (Depois de regressar de Júpiter abençoo o Planeta Terra, muito mais aprazível!)

Dia 30 de Dezembro

É injusto ser este dia. Ninguém repara em mim. Estão todos em ebulição à espera que chegue o dia 31, o meu irmão usurpador da alegria contida durante o ano que tem de ser gasta até às doze badaladas. Ninguém se lembra que posso ser vivido com convicção e energia, um dia pelo menos como os outros.
Sou uma espécie de intervalo para ir à casa-de-banho. Sinto-me parvo e inútil.
Sofro todos os anos, mas hoje protesto.
… Há a excepção dos que nasceram neste dia esquecido. Contudo, pobres pessoas, também elas são desprezadas. Entre o Natal e o ano novo a festa é geral, não há espaço para aniversários. As duas festas principais já atrapalham muita gente e outra qualquer que se tente intrometer neste período está condenada ao fracasso. O expoente máximo da desconsideração é neste dia, que todos passam à frente sem ligar.
Protesto!
Protesto!
Um dia aniquilo o 31 e vai ser cá um 31!
Quero festa no meu dia, champanhe e loucura. Luzes e fogo-de-artifício. Quero ser comemorado, saltado, beijado, dançado! Quero promessas que a partir do meu dia vão ser melhores pessoas, vão cumprir a vida certinha, vão estudar, trabalhar, amar, vão ser bons pais e mães de família, bons filhos, praticar o bem, desejar ser alguém.

Não gosto do silêncio de hoje, como se tudo tivesse de ser explodido amanhã. Vá lá, bebam um copo de champanhe, cantem alto, ensaiem o espectáculo para o dia do meu irmão açambarcador!
Um dia faço greve e o sol não nasce no dia 30. Ficam na penumbra à espera do próximo dia, vão ver! Estúpidas gentes!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Sonhos de Natal

Acordo transpirada e mal dormida. A minha alma afundou-se no meu corpo tomado pelas iguarias do Natal. Não consigo ligar os neurónios, acender os olhos, despertar. Restos de alimentos passeiam por mim, entupindo-me as funções vitais. Morro uma vez, exausta de não conseguir mexer-me com excesso de tudo. Morro pela segunda vez de tristeza pela primeira morte que me deixa com tão pouca vida. Suspiro no além e sou tomada por um terceiro falecimento só porque não há duas sem três. Acordo aliviada e respiro a custo. Desmaio envenenada pelo Natal e pelos seus sonhos. Tento levantar-me da cama mas o corpo fatigado murmura calma e não me movo. Fico parada em exercício de pré-pensamento. Estarei eu Ana? Transformei-me durante a noite, sou um ser imenso e o meu palácio não me serve. Acordo a tremer de frio na rua. O quintal da vizinha está branco de neve que imagino existir. Deliro de arrepios, bato os dentes até tudo estremecer à volta e causar um terramoto.. que provoca um maremoto. Afogo-me na minha quarta morte e contudo, vivo. Encontro-me a acordar no meu quarto, quente, mas sem vontade de despertar para a vida. Finjo morrer mais um bocadinho e adormeço livre. Passam-se minutos, horas, dias. De novo desperta, já com energia suficiente para enfrentar a alvorada, saio da cama ao meio-dia. Não volto a festejar a gula do Natal, prometo-me.

Confissão pequenina sobre o amor

O amor acontece nos pormenores mais simples, nos momentos em que nada é assim tão belo ou agradável.
O amor acontece quando sentimos a sua força a transformar pessoas que já não acreditavam nele.
O amor é algo que não se entende totalmente, mas senti-lo... é um prazer.
O amor é um amor!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A escrita como substituta do aquecedor

Os meus dedos tremem de frio e as pontas começam a ficar roxas. Tenho de exercitar a mão e escrever, com força, genica, calor.
O cérebro também parou um bocadinho. Quero dizer, percebo que funciona porque estou a pensar, mas acontece tão lentamente que só posso ter queimado algum fusível. Ou então não tenho óleo, como o meu carro há pouco, a caminho do jantar, parado na avenida a protestar e a acender-se de vermelho...
A pessoa e o carro, uma relação completa: assunto para reflexão. O bólide que me recebe de manhã e me transporta para o trabalho, ficando o dia todo à minha espera sem precisar de água ou feno. Só de gasolina às vezes, embora me pareça que anda muito sôfrego ultimamente. Será uma crise que o atormenta? Qual é a ligação da idade de um veículo e do Homem? Como a proporção de 6 anos do cão ou gato e uma pessoa? Será que o carrinho vive a idade do armário da adolescência? Ou o drama das primeiras rugas da meia-idade? Espero que não seja uma loucura senil, ainda quero dar muitas voltas com este meu popó...
E com isto já tenho cor nas falangetas.
É giro escrever sobre nada! ;)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O problema do controlo


Hoje tirei o dia de férias para não me preocupar, passear, comprar presentes, apanhar sol, ver filmes, ler, descansar, escrever, etc e tal.
Fiz uma lista num post-it que esperava estar cheia de certos no final do dia.
É noite e estou a preocupar-me por ter tido um dia bom mas pouco eficaz. A maioria dos objectivos não foi atingida.
Ai, credo, que drama, que horror! Como é que eu fui capaz de não cumprir o meu plano de lazer cronometrado?
Enfim, podia ser pior...
Rasguei o post-it.
Felizmente amanhã trabalho!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Quando os jantares pontuais festivos de Natal se tornam, na manhã seguinte, num espaço de tentações e armadilhas

Dar uma festa em casa é uma alegria da Dona de Casa Moderna! Planeamos as iguarias, os miminhos, os pratos principais, os secundários e os figurantes. Tudo para tornarmos o momento memorável, as amizades firmes e de barriguinha cheia e pachorrenta. Os vinhos escolhidos, abertos, bebidos e os que acabam por ficar à espera de alguém que tenha mais barriga do que olhos. O mesmo com os doces, o bolo de chocolate com o gelado de morango. Ou o pão de nozes que esteve na berra mas sobrou para contar a noite.
Hoje, após o evento, na cozinha oiço as risadas das iguarias que há pouco me convidaram para o pequeno-almoço. Os cereais e as papas de aveia entraram no esquema e fizeram-se mudos. O pão e as suas nozes dançaram como num bailado à frente dos meus olhos e os scones e as suas passas riram-se e cantaram melodias de paz. O iogurte light de aloe vera manteve-se convicto que faria parte da refeição. O café também. Bem hajam estes.
ferrero rocher a fazer o pino na bancada e as entradinhas no frigorífico preparam-se para se evidenciar à hora do almoço. Tanta agitação alimentícia após um jantar no Palácio. É a traição maldita da Fada-do-Lar em dieta hipocalórica após a dádiva de uma refeição bem confeccionada.
E no fundo, ela só queria ser feliz e espalhar alegria aos demais convidados...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Invenção milagrosa

Será que não existe alguma máquina especial capaz de aspirar a casa, passar a ferro, lavar a loiça e fazer essas coisas terríveis comandada apenas pelo poder da mente?
Ah, como a minha existência seria facilitada se tal fosse real!!!
Vou ter de recorrer à Marquília...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Coisas estúpidas

Hoje lembrei-me que fazia anos o C. Thomas Howell, o Ponyboy Curtis dos "Marginais", o meu ídolo principal da pré-adolescência. Cheguei mesmo a escrever-lhe uma carta a confessar o meu amor louco por ele. Respondeu-me com um postal fabril, a pedir 5 dolares para pertencer ao seu clube de fãs. Percebi que só me queria pelo dinheiro. Fiquei um pouco descrente no amor! Levei anos a recuperar desta tormenta amorosa...

Exercício da escrita

À custa de querer domesticar-me e organizar o meu pseudo processo criativo fiz nascer um blog de tentativa de contos, histórias... sei lá o que mais pensava eu nesse momento delirante.
O facto é que não tenho escrito grande coisa e isso deixa-me um bocado frustrada. Contudo, não me apetece cismar ou reflectir muito sobre o caso. Por isso vou escrever livremente e sem grandes elaborações.
Hoje o meu professor do curso de escrita disse que o meu trabalho estava bem escrito, mas não tinha percebido qual era a história. É verdade, infelizmente. Percebi que até nem é o mais grave (pior seria se tivesse uns conteúdos fantásticos com palavras pobres), no entanto, lembrei-me das palavras do meu pai, que me tem acompanhado nas minhas deambulações literárias ao longos dos séculos, que opina sempre que escrevo muito bem e tal, as palavras saem bonitas e elegantes, mas nada tem pés e cabeça... a maldita falta de um argumento vital, de um fio condutor, de um bom argumento que dê força às linhas que, aparentamente, surgem rápida e facilmente.
Resumindo... não tenho conteúdo, nada tenho a dizer ao mundo estruturado e interessante. A escrita sobre miudezas torna-se uma teimosia, mais do que uma hipotética experiência literária.
Se calhar tenho de pensar primeiro antes de escrever. Não sei. Estou confusa. Afinal, não terei mesmo assuntos para elaborar em noveleta? Terei a capacidade de escrever, de manusear com destreza a forma sem ter a oportunidade de passar bons conteúdos? A futilidade chegou à escrita...
Gaita, tenho de me disciplinar e focalizar-me num tema. Ou então vou ter de destruir o Universo para não me sentir tão medíocre...
 
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