quinta-feira, 23 de junho de 2011

Para o meu querido Blog

Meu querido Blog abandonado:

Escrevo com arrependimento. Há bastante tempo que não te alimento e mimo. Se fosses pessoa, dependendo da idade, ou estavas morto, ou ofendido. Desculpa o silêncio. Não quero assumir a fraqueza intelectual trivial dizendo que é mais fácil comunicar com uma frase, uma música ou um qualquer insípido "gosto" do que escrever um texto, mas o certo é que sou preguiçosa por natureza e dou por mim a pensar mil palavras e a expressar-me apenas numa afirmação tonta.

Já pensei em aniquilar o facebook e ficar só contigo... depois penso que posso ser como as mães de muitos filhos que não dividem o amor, mas multiplicam-no. E depois não penso mais nada e vou dormir, ou trabalhar, ou lá as coisas que eu faço.

Para que saibas, o mês de Maio foi passado no teatro. Entre ensaios, estreias, sessões, o meu mundinho mini ficou cheio de alegria que transbordou para Junho. Continuo feliz e vitaminada, apesar de anémica ;)

Estou neste momento com uma febre de arrumação e organização. Tudo começou quando pensei em esticar as divisões para ter o meu palácio impecável com toda a minha imensa e maravilhosa tralha. Como é fisicamente impossível (acho que tem a ver com alguma teimosia do Universo), decidi libertar-me de parte da carrada de coisas que possuo. Assim, esta loucura já dura há algum tempo. Consegui criar uma atmosfera mais livre na cozinha, na casa-de-banho, na arrecadação e agora é a vez do meu quarto e de toda a roupa... tarefa esta muito árdua. Pressupõe experimentar todas as peças e olhar para o espelho. Tenho três tipos de expressão para ditar o futuro dos trapos: 1 - sobrancelhas franzidas e boca semi-aberta de reprovação total com esgares de nojo, devido a não me servirem, serem horríveis ou qualquer coisa igualmente desastrosa; 2 - sorriso de esperança acompanhado de movimentos assertivos da cabeça e pensamentos de reciclagem ultra-criativa "vou cortar aqui e fazer aquilo acolá..." (que um dia chegarão a ser expressão do tipo 1, se der para o torto); 3 - serenidade global: afinal ainda não é amanhã que vou nua para a rua, por incapacidade vestimental...

A labuta continua pela tarde toda, noite, madrugada. Pausa para ir trabalhar durante o dia de amanhã. Retorno à tarefa até Sábado. Pausa só para ir à praia, se for. À noite, com toda a convicção não trabalho porque tenho uma bela festa de anos!

E mais?

... Escrever ocupa tempo, é necessária uma certa disponibilidade, uma organização também do pensamento. Por isso, primeiro arrumo a casa. Depois dedico-me à escrita... ou está a acontecer o contrário?

Meu querido Blog, voltarei quando estiver mais inspirada.

Um beijo e um abraço da tua

Ana Red Nose

terça-feira, 26 de abril de 2011

Descobri!!!!

Já percebi porque é que não escrevo com regularidade e dedicação neste meu blog: é um blog banana.
Aprazível, mediano, com pouca pica, sem grandes tiradas espontâneas vindas do mais profundo e horrível ser visceral.
Tenho de ser mais primária. Tenho de ser canibal.

Os dias começam a ficar pequenos

Os dias parecem estar a mirrar, a encolher com a crise malvada. Não tenho tempo para nada!

Acordo com o despertador a gritar-me aos ouvidos. Salto da cama, corro para a banheira. Espera-me um duche emergente e revigorante, uma toalha já quente com o sol da noite. A casa-de-banho ri-se da minha energia matinal e confessa que os outros donos eram uns preguiças. TU não, tu és bestial! Fico tão contente que abro a janela e canto para o mundo "L' amour est un oiseau rebelle...". O céu sorri e aparecem borboletas que voam com a melodia. Mas continuo sem tempo e tenho de ir trabalhar. Tomo um pequeno-almoço hipocalórico enquanto sou vestida por passarinhos azuis: serás a mais bela no estaleiro, mas terás de sair ao toque da corneta às 18h, para não transformares a tua vida numa abóbora. Aceito, prometo e lá vou na minha carruagem corsa para trabalhar com o melhor do mundo. Salto em andamento pois os esquilos estacionam o bólide. Passo o dia a ser feliz na labuta até me despachar para o meu segundo ofício actual: amar perdidamente o teatro! Antes do ensaio pulo até ao palácio e delicio-me com uma sopa feita por coelhinhos da Páscoa. Ainda há uns em casa que cantam quá-quá como os patos. Que maravilha de vida sem vagar!

sábado, 9 de abril de 2011

Tentando

Depois de uma manhã bonita e bem aproveitada, vacilo perante as tarefas que quero fazer e a preguiça que invade em várias frentes. Aí, a vontade desvanece e fica mais fraquinha. Eu envio mensagens ao cérebro, mas este ignora-as e deixa o meu corpo ensonado sentado no sofá, a planar o rabo, deixando-me apática.
O sol tenta participar na tomada de decisão e entra de mansinho pela sala. Diz para vir para a rua - Vem para a rua, está quente, muito bom! Vá lá, rapariga, larga a preguiça e junta-te a mim.

- Já vou. Estou tentando, respondo ao sol em pensamento, sem verbalizar. Tenho sono como se não dormisse há 25 horas. Estou tentando! ...

sábado, 2 de abril de 2011

Tempos de crise

É com alguma vergonha que escrevo este post. Por ser tão preguiçosa e ter ficado mais de um mês sem dar um mimo ao blog. Injusta e pérfida, indiferente.
Tenho andado a mil, apaixonada por tudo. Com pouco tempo para me dedicar à escrevedura. A ler como uma doida, a trabalhar arduamente com prazer, a teatralizar, a viver com gosto. A fazer dieta. A faltar ao ginásio e a pagá-lo, coisa estúpida e impensável nestes tempos de crise. A desenvolver um plano de recuperação financeira optimizando as futuras idas às máquinas do exercício e à piscina. Vou hoje, já decidi. Vou regressar à boa forma com o olho na televisão a ver imagens que geralmente não tenho acesso porque sou teimosa e não quero tv e depois, ainda há a crise. Se não for ao ginásio 2/3 vezes por semana não compensa. E a crise... e o telhado da minha casa que tem de ser pago mas ainda há chuva no último andar, logo agora que faz sol. E a Ordem dos Psicólogos que tem a loja em baixo e não me deixa cumprir a minha obrigação primordial de sócia. Pagar quotas em tempos de crise. E o IRS que vou fazer e não me apetece. Mas é melhor fazer para ganhar algum. Talvez dê para pagar o telhado. Ou um jantar. Embora eu talvez deixe de jantar. Por causa da crise e da dieta. Se vou dormir, para quê comer? O melhor será desfalecer de fome e confundir tudo com sono. Poupar aqui e ali. Porque a crise está aí e morde-nos as canelas e passa-nos a preocupação. Já ouvi dizer que não vamos ter subsídio de férias. Se não tenho, como é que vou pagar o telhado, a Ordem, como é que ponho a minha vida em ordem Tenho de ir viajar pelo mundo e gastar dinheiro. Investir na Humanidade, ficar sem um tostão. E agora arreliam-se com a crise. Como se não tivesse outros assuntos para me entreter.

Está meio sol e é cedo. Vou ao ginásio! É importante não vacilar. É fundamental não desistir. Eu quero vencer a crise. E a crise começa logo de manhã, quando os lençóis nos acariciam o corpo e seduzem para mais ZZZZZZZZZZZZZZZZZZ...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Livros

Acho que parei de escrever para me dedicar à leitura. Este ano já tive óptimas surpresas! Estou numa fase frenética e ávida de palavras. Há muito tempo que não lia tanto e tão boas obras.
Ai que prazer ter um livro para ler... e ler, esses papéis pintados com tinta!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Escapadela

Ela era uma mulher na casa dos 30 com pretensões de vir a ser conhecida pela sua boa escrita, fluida, inteligente e ágil… mas não tinha argumentos e ideias congruentes que lhe permitissem iniciar, dar um corpo e terminar airosamente uma história. Mesmo com 10, 15 páginas como era a proposta. Ela era simplesmente preguiçosa ou árida de um pensamento continuado que lhe daria a oportunidade de finalizar algo que ainda não tinha começado?
Ela era parva e matutava sobre isso. Ela era um génio e sonhava com isso. Delirava e confabulava. Histórias de sucesso e discursos oscarianos. Tudo lhe chegaria um dia, queria acreditar, sem muito ligar.
Mantinha o seu trabalho de funcionária pública num estaleiro com crianças. Todos os dias de regresso a casa, planeava sentar-se no sofá com o computador no colo e principiar a sua conquista do Universo. Contudo, era o jantar, um livro que a cativava, os filhos para educar, a roupa para lavar, secar, passar, dobrar, guardar e voltar a vestir. Era um ciclo pernicioso que não a deixava escrever e ser maravilhosa.
Um dia fartou-se desta vida de patéticas aspirações e foi ao seu médico de família. Pediu com gentileza e, passados 2 meses de apoio psiquiátrico, foi-lhe concedida a solução.
A Medicina agradece sempre aos dadores de órgãos.
“O meu cérebro vai servir alguém mais produtivo”, pensou ela antes de adormecer anestesicamente…

sábado, 15 de janeiro de 2011

Post para a Anita!

Olá, olá! Aqui estou eu a escrever sem conteúdo para fazer chegar um sorriso a New York City, a cidade que nunca dorme! :)
Vou partilhar o meu mais recente e fresco pré-delírio (ainda não está concretizado)... é completamente doente e decadente: vou deixar os post-its e as notinhas para começar a fazer bases de dados!!!
E a primeira que surge na minha mente, capaz de me organizar para todas as manhãs da minha vida é...
...
Um ficheiro com todo o meu guarda roupa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Espero conseguir compilar os dados num formato simples... talvez excel. Depois passo para access e e vou criando consultas consoante o estado de espírito. A seguir vou testar durante 1 ano, para poder passar as 4 estações do ano, para avaliar o instrumento.
Se tudo correr bem, vou poupar uns 20 mn diários na escolha da fatiota, o que pode dar origem a uma poupança de 5 horas por mês (aos Domingos posso decidir sem informática!)... ao fim de um ano serão umas 60 horas. Se eu viver mais... deixa-me pensar... na minha família as pessoas duram imenso, por isso vou apontar para os 90 anos. Se tenho agora 37, ainda devo viver 53 anos...
Resultado previsto com esta ideia fabulosa: vou ganhar cerca 3180 horas de paz interior e tranquilidade estética vestuárica. Tudo com um simples ficheiro.
Mas... o ficheiro tem de ser actualizado: roupa nova, velha, que não serve porque vou ficar hiper-magra com mini-milks, ultrapassada, etc. Tem de ser tudo dinâmico e airoso!
Vou fazer novos cálculos. Quanto tempo é que vai demorar a criação da Base Mãe? Hmmm... vamos pôr umas 5 horas. Ou mais... talvez seja importante saber que roupa é que possuo. Se calhar tenho de contratar uma secretária para tirar tudo nos armários e guarda-vestidos. Pago-lhe em roupas. Alguém se oferece?

sábado, 8 de janeiro de 2011

Exercício de escrita - escrever sem conteúdo

Hoje acordei umas 4 vezes com o despertador a zumbir aos meus ouvidos. Calei-o rapidamente com um gesto. O último foi tão violento que não houve um 5.º alerta. Despertei então "naturalmente" quase às 10 horas, a pensar que estaria atrasada para alguma coisa. De facto, estava, mas deixei de me preocupar com isso e fui preparar o pequeno-almoço, enquanto reflectia sobre a pequenez da minha cozinha e palácio e no prazer que seria ter de me deslocar de divisão para divisão de patins, por ser tão enorme o meu habitáculo. Ainda acredito que um dia vou acordar e a minha casa cresceu imenso e eu tenho espaço para colocar lá mais do meu mundo sem me preocupar com o espaço para os livros que está a abarrotar ou que tenho de me enfiar debaixo da cama para inspeccionar alguma t-shirt favorita nos gavetões. Isso e outras coisas.
Felizmente estava a preparar cereais e não tinha o lume aceso. Estas divagações matinais desprovidas de cafeína e sem o tempo a martelar a impaciência levam a alhear-me da realidade.
Hoje acordei também com uma ferida por baixo do nariz, a imitar um bigode à Hitler. Creio que vai ser um "bocado péssimo" disfarçar, porque me dói de tanto me assoar. O problema é acrescido com o facto de ter de ficar gira hoje porque vou a um Baptizado de um bebé. O meu vestido não fica bem com bigodis hitlerianos. Vamos esperar que o halibut cumpra a sua missão. Ou então levo um nariz substituto para disfarçar!
... Mais de nada interessante para escrever, por isso, continuo. Ao longo da semana fui duas vezes para a cama antes das 22 horas da noite, o que me leva a ponderar se estarei doente ou apenas fatigada. Será que é o meu corpo a avisar-me que em Abril faço 38 anos e a frescura da juventude já é passado?
Acabo de tomar o pequeno-almoço e listo mentalmente afazeres (sem papel) na pinha. A SOPA! Ontem decidi fazer sopa e esqueci-me. Vai ser agora. Uma bela sopa hipocalórica vai ser criada neste mundo! Que coisa tão magnífica e mágica. Um sábio, o Lavoisier!!!
E a nota final da praxe, por ser o 1.º post do ano: Feliz 2011! Muita alegria, amor, gozo, tranquilidade e saúde! Genica e espírito sempre cool! Ié!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Lista de algumas coisas boas para fazer/ ser/acontecer a partir de 30 de Dezembro de 2010, com ênfase em 2011:


- Não fazer listas
- Usar apenas uma agenda para o trabalho e outra para a vida pessoal (que embora sejam partes inseparáveis na minha vida, são, de facto, divisíveis em termos cronometráveis)
- Ser adorável para a Humanidade (na expectativa egoísta que esta também o seja para mim)
- Estudar, ler, investigar, continuar a querer saber mais e melhor sobre as coisas que me cativam (e um bocadinho sobre o resto da vida em geral, para não me tornar inculta e alheada da realidade comum)
- Escrever muito e não só informações para Tribunais ou relatórios Psicológicos – obrigar-me a participar (não vou exigir um 1.º prémio porque sou modesta e cobarde) em alguns concursos literários. Escrever textos para os meus amigos darem corpo e batimentos cardíacos. Escrever para me sentir mais viva.
- Tentar manter o amor pelo Teatro
- Ler 33 livros
- Ser boa (por dentro e fora) – Não me esquecer que estou a fazer dieta e ando num ginásio!
- Amar, gostar, adorar as pessoas que fazem parte do meu mundo colorido e belo, pleno de felicidade descontínua, firme e congruente.
- Estar diária (mas tranquilamente) desperta e disponível para este admirável mundo em que tenho no privilégio de habitar! (Depois de regressar de Júpiter abençoo o Planeta Terra, muito mais aprazível!)

Dia 30 de Dezembro

É injusto ser este dia. Ninguém repara em mim. Estão todos em ebulição à espera que chegue o dia 31, o meu irmão usurpador da alegria contida durante o ano que tem de ser gasta até às doze badaladas. Ninguém se lembra que posso ser vivido com convicção e energia, um dia pelo menos como os outros.
Sou uma espécie de intervalo para ir à casa-de-banho. Sinto-me parvo e inútil.
Sofro todos os anos, mas hoje protesto.
… Há a excepção dos que nasceram neste dia esquecido. Contudo, pobres pessoas, também elas são desprezadas. Entre o Natal e o ano novo a festa é geral, não há espaço para aniversários. As duas festas principais já atrapalham muita gente e outra qualquer que se tente intrometer neste período está condenada ao fracasso. O expoente máximo da desconsideração é neste dia, que todos passam à frente sem ligar.
Protesto!
Protesto!
Um dia aniquilo o 31 e vai ser cá um 31!
Quero festa no meu dia, champanhe e loucura. Luzes e fogo-de-artifício. Quero ser comemorado, saltado, beijado, dançado! Quero promessas que a partir do meu dia vão ser melhores pessoas, vão cumprir a vida certinha, vão estudar, trabalhar, amar, vão ser bons pais e mães de família, bons filhos, praticar o bem, desejar ser alguém.

Não gosto do silêncio de hoje, como se tudo tivesse de ser explodido amanhã. Vá lá, bebam um copo de champanhe, cantem alto, ensaiem o espectáculo para o dia do meu irmão açambarcador!
Um dia faço greve e o sol não nasce no dia 30. Ficam na penumbra à espera do próximo dia, vão ver! Estúpidas gentes!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Sonhos de Natal

Acordo transpirada e mal dormida. A minha alma afundou-se no meu corpo tomado pelas iguarias do Natal. Não consigo ligar os neurónios, acender os olhos, despertar. Restos de alimentos passeiam por mim, entupindo-me as funções vitais. Morro uma vez, exausta de não conseguir mexer-me com excesso de tudo. Morro pela segunda vez de tristeza pela primeira morte que me deixa com tão pouca vida. Suspiro no além e sou tomada por um terceiro falecimento só porque não há duas sem três. Acordo aliviada e respiro a custo. Desmaio envenenada pelo Natal e pelos seus sonhos. Tento levantar-me da cama mas o corpo fatigado murmura calma e não me movo. Fico parada em exercício de pré-pensamento. Estarei eu Ana? Transformei-me durante a noite, sou um ser imenso e o meu palácio não me serve. Acordo a tremer de frio na rua. O quintal da vizinha está branco de neve que imagino existir. Deliro de arrepios, bato os dentes até tudo estremecer à volta e causar um terramoto.. que provoca um maremoto. Afogo-me na minha quarta morte e contudo, vivo. Encontro-me a acordar no meu quarto, quente, mas sem vontade de despertar para a vida. Finjo morrer mais um bocadinho e adormeço livre. Passam-se minutos, horas, dias. De novo desperta, já com energia suficiente para enfrentar a alvorada, saio da cama ao meio-dia. Não volto a festejar a gula do Natal, prometo-me.

Confissão pequenina sobre o amor

O amor acontece nos pormenores mais simples, nos momentos em que nada é assim tão belo ou agradável.
O amor acontece quando sentimos a sua força a transformar pessoas que já não acreditavam nele.
O amor é algo que não se entende totalmente, mas senti-lo... é um prazer.
O amor é um amor!
 
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